Puberdade Precoce - Outra origem da puberdade precoce
A herança genética pode estar relacionada com até 90% dos casos de puberdade precoce sem causa conhecida, segundo os dados de uma pesquisa brasileira, de autoria da médica Milena Gurgel Teles, que foi publicada na edição de fevereiro de 2008 do New England Journal of Medicine (um jornal médico britânico). Sob orientação da professora Ana Cláudia Latrônico, do Departamento de Endocrinologia e Metabolismo da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), a médica pesquisou durante cinco anos a hipótese de mutações genéticas causadoras da puberdade precoce para sua tese de doutorado.
Ela coletou e estudou o DNA de linfócitos** de 51 crianças de 3 a 8 anos de idade (48 meninas e três meninos) atendidas no ambulatório de puberdade do Hospital das Clínicas (HC), com puberdade precoce central -- o termo usado quando não há causa orgânica associada ao distúrbio. Ao mapear os genes associados com o desenvolvimento sexual, Milena Gurgel Teles identificou a mutação no gene GPR54 de uma menina de 8 anos de idade que desenvolvera mamas (estágio de Tanner 4) aos 7 anos de idade, tinha pêlos pubianos (estágio de Tanner 2) e apresentava idade óssea de 11 anos, sem ter qualquer sintoma de doença orgânica que pudesse ser associada ao processo.
O gene GPR54 é receptor da proteína kisspeptina, reguladora da secreção do hormônio liberador de gonadotropinas (GnRH). Estudos com ratos já comprovaram que, na falta desse gene, os genitais desses animais não se desenvolvem e não ocorre a diferenciação entre machos e fêmeas. A puberdade precoce não é um distúrbio considerado raro, informa a professora Ana Cláudia Latrônico. Ela afeta uma pessoa em cada 10 mil. O tratamento da puberdade precoce é feito com drogas inibidoras do hormônio liberador de
gonadotropinas GnRH e de hormônios sexuais.
* * glóbulos brancos formados em diversos órgãos do corpo cuja função é defendê-lo contra invasores, principalmente virais.