Novo estudo da Universidade de Johns Hopkins aponta as condições para a probabilidade de sucesso do tratamento da doença após a prostatectomia
Um estudo do Centro de Câncer Kimmel, da Universidade John Hopkins, uma escola de medicina de Baltimore (EUA) conhecida mundialmente pela excelência de suas pesquisas na área de saúde, acompanhou 774 pacientes de câncer de próstata por oito anos, em média, e chegou à conclusão de que a combinação de três tipos de procedimentos pode melhorar a previsão sobre metástase da doença em homens que já foram operados para a remoção da próstata.
O novo método preditivo leva em conta o período de tempo que demora para o nível do PSA, o antígeno específico prostático, dobrar, combinado com o escore de Gleason – um indicador numérico que corresponde a agressividade do câncer, visto sob microscópio – e o intervalo de tempo entre a remoção cirúrgica da próstata e o primeiro nível de PSA detectável. Segundo os pesquisadores, a combinação desses três parâmetros permite estimar de forma mais acurada o risco da disseminação do câncer do que outros métodos e pode ajudar a definir que pacientes com nível de PSA aumentado depois da prostatectomia se beneficiariam de terapia adicional.
Apresentados em junho último, no encontro anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO*), esses achados do estudo do Centro de Câncer Kimmel podem ajudar a resolver a discussão sobre quando e de que maneira entrar com o tratamento secundário da doença. “Ainda há muita controvérsia sobre se a prescrição de tratamento para um paciente cujo nível de PSA começa a subir logo após a cirurgia deve ser imediata ou pode ser adiada”, afirmou o principal autor do estudo da Johns Hopkins, Dr. Emmnuel Antonarakis, durante a exposição do trabalho no ASCO. “Os estudos sugerem que a maioria dos homens vive o mesmo tempo, no final, tanto os que recebem terapia assim que a elevação do nível de PSA é detectada quanto os que esperam até que o câncer se espalhe para outros lugares para fazer a terapia.”
Fatores de risco
Depois de revisar as informações dos 774 pacientes cujo PSA subiu após a cirurgia os pesquisadores observaram que o escore de Gleason e as duas medições do PSA (do primeiro nível detectável após a cirurgia e do tempoque levou para o nível do PSA dobrar) foram os fatores de risco mais fortes para a metástase do câncer. Os homens com escore de Gleason mais altos, entre 8 e 10, tinham duas vezes mais chance de desenvolver o câncer mestastático. Entre aqueles cujo PSA se tornou detectável no período de três anos pós-cirurgia, a probabilidade de o câncer se espalhar para outros órgãos foi mais de três vezes superior. Finalmente, entre os homens cujo PSA dobrou mais rapidamente, no período de três meses, a probabilidade de desenvolver o câncer metastático foi 20 vezes maior do que nos homens cujo PSA demorou mais de 15 meses para dobrar. O tempo médio para a doença reaparecer nos exames de imagem foi de 10 anos. “Essa média não se aplica a todos, porém, e precisamos saber quais os fatores que elevam o risco de progressão do câncer antes desse prazo entre os pacientes”, declarou o professor de oncologia do Centro de Câncer Kimmel, Dr. Mario Eisenberger.
A elevação do PSA ocorre em 20% a 30% dos homens, após a prostatectomia, segundo o pesquisador Antonarakis. Mas, as células cancerosas que aparecem nestes pacientes são raramente detectáveis nos exames de imagem. Diante da probabilidade de o câncer se espalhar, muitos homens optam por se submeter à terapia hormonal, que bloqueia a produção de testosterona, substância que atua como um combustível no crescimento do câncer de próstata. Os efeitos colaterais do tratamento são semelhantes aos sintomas da menopausa feminina. Os homens sentem calores, suores noturnos, desenvolvem osteroporose e síndrome metabólica, além de doença coronariana e costumam se sentir debilitados, segundo o pesquisador.
Ao lado da terapia hormonal, outras opções para pacientes com PSA elevado nesta fase pós cirúrgica são o uso intermitente da terapia hormonal, a participação em ensaios clínicos que testam drogas experimentais, ou ambas as alternativas e, ainda, a possibilidade de esperar até que os exames de imagem localizem as metástases do câncer no organismo.
A agressividade do câncer de próstata
As células do tumor de próstata podem variar de forma, tamanho e agressividade, pois o tumor é composto de vários focos diferentes. A medida conhecida como escore ou pontuação de Gleason, criada na década de 1960 pelo patologista americano Donald F. Gleason, do Minneapolis Veterans Affairs Hospital e utilizada no mundo todo para determinar se o câncer de próstata é de evolução lenta ou rápida, consiste no exame microscópico das células de uma amostra ou biópsia, em que as células cancerosas da próstata s são comparadas ás de um tecido normal. Quanto mais diferentes estiverem estas células em relação ao padrão normal do tecido, maior é a agressividade do tumor.
No sistema Gleason, o patologista identifica os padrões de células que mais aparecem e dá duas notas, utilizando uma escala de 1 a 5. O resultado final ou escore de Gleason é a somatória dos números indicativos das células de maior prevalência Esse total é classificado em uma escala de 2 a 10. Por exemplo, quando o primeiro tipo de célula é padrão 4 e o segundo, 3, o escore de Gleason será de 7 (4 + 3). Quanto menor o primeiro número da pontuação, correspondente ao tipo de célula de maior prevalência, melhor o prognóstico do paciente. Assim, uma pontuação 3 + 4 significa menor agressividade do que um escore 4 + 3, embora ambos totalizem um Gleason de 7.
ESCORE DE GLEASON E CARACTERÍSTICAS DO CÂNCER
Pontuação
de Gleason |
Características
do câncer |
Mortes por câncer
de próstata |
2 a 4 |
Tendência à evolução lenta |
6 mortes
por 1.000 |
5 a 7 |
Moderadamente
agressivo |
12 a 65 mortes
por 1.000 |
8 a 10 |
Crescimento rápido e com alta
probabilidade de metástase |
121 mortes
por 1.000 |
Fonte: Clínica Mayo