Confira a primeira parte da série de reportagens, que traça o perfil do serviço de transplantes de fígado do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).
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Apesar das filas de espera por transplantes ainda serem consideravelmente grandes, melhorou consideravelmente nos últimos cinco anos o atendimento de pacientes com doença terminal do fígado que necessitam de um novo órgão. A análise é do gastroenterologista Luiz Augusto Carneiro de Albuquerque, diretor e professor titular do Serviço de Transplante e Cirurgia do Fígado do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP).
Há três anos, o Ministério da Saúde trocou o critério eletivo de distribuição de fígados. A Fila Única de espera, que até então atendia em ordem cronológica, passou a atender primeiro os pacientes com estado clínico mais grave. A avaliação é feita por meio de um modelo matemático de avaliação chamado Meld (Model for End-Stage Liver Disease ou Modelo para Doença Terminal do Fígado). “É um método objetivo e honesto, extremamente confiável”, diz o especialista.
Graças à mudança, Albuquerque conta que os doentes em estágio mais grave, que já estão na fila, conseguem transplantes em até dois dias. No HC, o índice de óbitos em pacientes sem transplante caiu de 40% quando o critério era cronológico, para 7% com a nova norma.
Segundo o médico, o maior problema ainda é a escassez de órgãos. Ele conta que a fila de espera no HC hoje é de cerca de 700 pessoas, 2800 no Estado de São Paulo e 7 mil no Brasil. No Estado de São Paulo, contudo, o investimento da Secretaria da Saúde no treinamento de médicos, enfermeiros e paramédicos para lidar com as famílias de eventuais doadores gerou resultados de vulto. Diferente de outros órgãos, que podem ser retirados de outra pessoa viva, o fígado é removido do doador cadáver, por se tratar de um órgão vital. Nos últimos cinco anos, o número de doadores aumentou de 4 para 27 por milhão de habitantes. “Estamos com os mesmos padrões que os Estados Unidos e de alguns países da Europa”, afirma.
O novo critério eletivo e o investimento em treinamento pró-doação pelo governo do estado e pela superintendência do Hospital das Clínicas fizeram o número de transplantes aumentar em 120% no hospital em 2009. Até a primeira quinzena de julho, 72 pacientes haviam recebido novos órgãos.