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Transplante de fígado
O fígado é um órgão que desempenha funções vitais, como o combate a infecções e a limpeza do sangue, além de colaborar com a função digestiva e armazenar energia. Por isso, o organismo humano não pode passar mais de 24 horas sem o trabalho deste órgão. O médico deverá aplicar todos os tratamentos disponíveis para manter ativo o fígado danificado. Se não isso não for o suficiente, porém, ele indicará o paciente à lista de espera para o transplante hepático.

O sucesso dos transplantes nesta área deu um salto de 30% para mais de 70%, em relação à sobrevida dos pacientes, devido a um marcante desenvolvimento científico nas últimas décadas, segundo dados da Associação Brasileira dos Transplantados de Fígado e Portadores de Doenças Hepáticas (TransPática). Nos Estados Unidos, essa estimativa já ocorre em torno de 85%.

A combinação de inúmeros fatores, como a otimização do tempo cirúrgico (do doador ao receptor) e o desenvolvimento de novas drogas imunossupressoras, foi responsável pelo incremento desta área da medicina ao redor do mundo.

As funções do fígado

Em uma pessoa adulta, o fígado pesa entre 1,4kg e 1,6kg, de consistência tenra, cor vermelho-escura e formato triangular, com o tamanho aproximado de uma bola de futebol. É tanto o maior órgão interno quanto a maior glândula do corpo humano. Está localizado do lado direito, entre o abdômen e o diafragma, à direita do estômago e acima da vesícula biliar.

Uma de sSuas principais atividades ésão a produção e a excreção da bile, ou bílis, uma substância amarelo-esverdeada que atua no duodeno auxiliando especificamente na emulsificação e absorção das gorduras no processo digestivo. O fígado desempenha, ainda, mais de duzentas funções inter-relacionadas no organismo humano e por isso a sua importância ser tão vital.

Conheça algumas dessas funções:

- O fígado é responsável por diferentes atividades no metabolismo dos carboidratos, entre elas a decomposição química da insulina e de outros hormônios;
- Desempenha importante papel no metabolismo das proteínas;
- Também desempenha diversas funções no metabolismo dos lipídeos, como a síntese do colesterol e a lipogênese, a produção dos triglicérides;
- Produz os fatores de coagulação, como a elaboração da seroalbumina (proteína do soro sanguíneo), da seroglobulina e do fibrinogênio, ao mesmo tempo em que ocorre a desintegração dos glóbulos vermelhos;
- Decompõe substâncias tóxicas e a maioria dos medicamentos;
- Converte a amônia em uréia;
- Armazena um grande número de substâncias, entre elas água, ferro, cobre e as vitaminas A e D e o complexo B.

Poder de regeneração

O fígado é o único órgão interno capaz de regenerar a perda de um tecido naturalmente. Uma pequena porção de 25% do fígado pode se regenerar, significativamente, tornando-se um órgão completo. Por isso, em alguns casos de transplante é possível que uma pessoa sadia doe parte do órgão, quando compatível, ao do receptor.

O transplante de fígado

O transplante é indicado quando o fígado falha irreversivelmente. A maior parte dos transplantes é realizada principalmente nos casos de doenças hepáticas crônicas em que se esgotam todas as possibilidades de tratamento clínico, levando à falência do órgão, como nos casos de cirrose hepática, hepatite C crônica, hepatite auto-imune, hipotensão, hipertensão e diabetes.

A classificação da gravidade dos pacientes é feita por meio da avaliação de exames laboratoriais, cotados em uma escala numérica, chamada escala MELD (para os adultos). Do inglês, Model of End Stage Liver Disease, a MELD funciona também como critério para posicionar o paciente na lista de espera de transplantes.

A cirurgia de transplante consiste na retirada do fígado prejudicado e a sua substituição por um órgão saudável. O procedimento tem duração média de sete horas, podendo se estender para cinco e chegar até doze horas de duração, em alguns casos. Após a operação, o paciente permanece na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), entre 24 e 72 horas, para receber os cuidados necessários.

A maioria dos fígados doados provém de pessoas que morreram, mas o transplante também pode ser feito com a doação de um segmento de fígado de uma pessoa viva. Esse tipo de transplante é chamado de “intervivos”. O caso mais comum desse tipo de transplante é na cirrose hepática. Em crianças, o caso mais freqüente é de artresia biliar (estreitamento das vias biliares).

Os pacientes transplantados devem tomar medicações por toda a vida para prevenir a rejeição do órgão.

Breve história do transplante de fígado

Os primeiros transplantes de fígado em humanos ocorreram em 1963 e 1965 – antes mesmo do primeiro transplante de coração, em 1967 – realizado por Thomas Starzl, nos Estados Unidos, e por Roy Calne, na Inglaterra, respectivamente.

No Brasil, o primeiro transplante hepático se deu pouco tempo depois, em 1968, no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP), pela equipe do Prof. Dr. Marcel C. C.Machado.

Com os avanços da medicina, da anestesia aos medicamentos, equipes médicas realizam hoje com grande sucesso transplantes de coração, pulmões, rins, pâncreas e fígado, com riscos reduzidos de rejeição, graças ao uso de drogas altamente desenvolvidas.