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Prevenindo o câncer colorretal: o futuro do rastreamento
A técnica está em fase de experimentação e é bem possível que em breve os médicos possam utilizá-la para minimizar o desconforto dos pacientes.

Doenças inflamatórias do cólon, como a retocolite ulcerativa crônica e a Doença de Crohn, estão entre os fatores de risco para o desenvolvimento do câncer colorretal. Este tipo de câncer abrange tumores que atingem o cólon (intestino grosso) e o reto. Tanto homens como mulheres são igualmente afetados, sendo, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), do Ministério da Saúde, uma doença tratável e frequentemente curável quando localizada apenas no intestino (sem extensão para outros órgãos).

Quando detectado em seu estágio inicial, o câncer colorretal tem grandes chances de ser curado, diminuindo a taxa de mortalidade associada ao problema. Por isso, a detecção precoce é fundamental e representa hoje a bandeira principal da saúde pública na luta contra a doença.

Entretanto, problemas como o desconforto que o exame representa e com limitações de desempenho da própria tecnologia dificultam a aplicação da colonoscopia convencional em larga escala. O impacto dos programas de detecção precoce na diminuição da mortalidade, em decorrência da efetividade do rastreamento, encorajou os cientistas a aperfeiçoar o exame de avaliação da mucosa intestinal.

O método virtual de colonoscopia, que dispensa a introdução do endoscópio no reto, testado e aprovado pelas Sociedades Americanas de Oncologia e Radiologia, foi recentemente incluído nas diretrizes de rastreamento de câncer colorretal. A técnica, também conhecida como colonografia por tomografia computadorizada (colonografia por TC), combina a aplicação de um sofisticado software para gerar imagens que permitem ao operador “navegar” pelo cólon em qualquer direção.

A técnica está em fase de experimentação e é bem possível que em breve os médicos possam utilizá-la para minimizar o desconforto dos pacientes. Vários estudos têm abordado a aceitabilidade dos pacientes em relação à colonoscopia virtual. As principais vantagens estão relacionadas ao fato de ser uma técnica não invasiva, rápida e que não requer sedação, permitindo que os pacientes possam regressar logo às suas atividades habituais. Além disso, está associada ao baixo risco de complicações.

O tomógrafo multislice utilizado nesse tipo de exame é um equipamento relativamente novo no mercado e sua disponibilidade é ainda restrita a grandes centros hospitalares e de referência em câncer. Outra dificuldade na aplicação da técnica, a ser ainda superada, diz respeito à leitura dos exames pelos radiologistas. Apesar de a aquisição das imagens ser rápida, a avaliação exige preparo técnico desse tipo de profissional.