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Estudos em andamento sobre a puberdade precoce
Por que em algumas pessoas a puberdade ocorre aos 9 anos e em outras só aos 13 ou 14 anos? Quais os mecanismos que fazem o cérebro ativar os sinais que dão início ao processo normal e por que, ele é acionado antes do tempo, em alguns indivíduos? As pesquisas voltadas para a genética da puberdade devem responder estas questões nos próximos anos de uma forma mais ampla.

A hipótese em estudos sobre o papel da proteína produzida no cérebro, denominada kisspeptina é apenas uma das vertentes pesquisadas. Sua participação no desenvolvimento sexual foi observada a partir de estudos com ratos que se desenvolviam bem durante a infância, mas não completavam o amadurecimento, continuando “crianças”, como se viu. Pesquisadores da Universidade de Cambridge, na Grã Bretanha, verificaram que esses ratos não tinham o gene gpr54, cuja proteína tem a função de receptor para a kisspeptina. Sem os receptores, eles não desenvolviam os genitais e não se diferenciavam entre machos e fêmeas.

Mas, além da genética, outros fatores, biológicos, sociais e ambientais, tendem a influenciar o início da puberdade. Por exemplo, meninas cujos pais são ausentes ou que mantêm com elas um relacionamento ruim têm tendência a experimentar a menarca mais cedo, mostram alguns estudos. Viver em lugar de altitude elevada, por outro lado, pode adiar a experiência da puberdade em alguns anos. A alimentação, especialmente no caso das meninas, também tem destaque nesta fase de desenvolvimento, como indicam as pesquisas com a leptina, por exemplo, um hormônio produzido pelas células do tecido adiposo. Estima-se que 40% dos neurônios que tem receptores para a mencionada proteína kisspeptina expressam, também, receptores para a leptina, o que talvez explique a relação estreita entre as reservas de energia (gordura) estocada na criança e a data de início da puberdade.