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Áreas Terapêuticas - Gravidez

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Gravidez - O Parto

A participação da mulher e de seus familiares ou acompanhante no parto e com os cuidados do bebê desde o momento do nascimento pode ter impacto na saúde da criança. O parto normal é considerado o melhor caminho para trazer um bebê ao mundo porque permite à mãe receber a criança, amamentá-la, estabelecer contato físico com ela e zelar por seu bem estar desde o nascimento, informa a resolução 36 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que estabelece novos padrões para o parto.

O Ministério da Saúde anunciou em julho de 2008 o lançamento de um Programa Nacional de Incentivo ao Parto Normal e de Redução das Cesáreas Desnecessárias. Ele prevê novas regras para tornar o parto mais humanizado, tanto no Sistema Único de Saúde, o SUS, quanto no sistema privado. As gestantes que escolherem dar à luz por parto normal terão acesso a quarto específico para o procedimento, com banheiro anexo e direito a permanecer com o bebê, no mesmo alojamento. Garante ainda a presença de um acompanhante de livre escolha da gestante durante o parto e após o nascimento do bebê.

Segundo a resolução, as unidades de saúde serão orientadas a estimular a evolução natural do trabalho de parto, com soluções simples como a assistência de profissionais treinados e a presença de um médico além do apoio emocional do acompanhante da gestante.

A iniciativa do incentivo ao parto normal foi decisão não só do governo, mas de um esforço conjunto envolvendo sociedades médicas, gestores de saúde, universidades e os conselhos nacionais de secretários estaduais e muncipais de Saúde, além da Rede pela Humanização do Parto e Nascimento, ReHuNa – um movimento que vem atuando desde 1993 em favor do parto e nascimento mais humanizados.

Escolha do Parto
Vivemos um momento no Brasil, hoje, de resgate do parto normal, como se pode ver, comparativamente aos últimos anos, em que os partos ficaram sujeitos à condutas rígidas, hospitalares, que contribuíram para a inibição do desenvolvimento do processo natural do trabalho de parto.

A cesárea desnecessária representa risco de morte materna 5 a 7 vezes maior do que o parto normal, informa o movimento ReHuNa. Para o bebê, também existem riscos: “O mais evidente é o aumento da prematuridade, com internações em centros de cuidados intensivos, o que traz conseqüências para toda a vida”, alerta o movimento.

Mas as condições gerais da gestante e do bebê são fundamentais para essa decisão sobre a escolha do parto. Não se trata portanto de uma escolha o tipo de parto a ser feito, pensando bem, ou melhor dizendo, pensando por dois – o bebê e a mãe. A cesárea pode ser inevitável quando há complicações com a gestação como o descolamento prematuro da placenta ou o diagnóstico de placenta prévia, quando esta, localizada à frente do útero, impede a passagem do feto. A cirurgia pode também ser necessária quando a gestante apresenta dificuldades de dilatação, ou tem hipertensão arterial, ou já passou por duas ou mais cesarianas e um parto normal pode levar ao rompimento do útero. O sofrimento fetal por conta de problemas com a saúde da gestante ou do próprio bebê ou do líquido amniótico, entre outros, pode ainda tornar a cesárea inevitável.

Parto normal
O parto normal, especialmente do primeiro filho, envolve um trabalho longo, de 10 a 12 horas de contrações, enquanto a cesárea é uma cirurgia que pode levar uma hora. O medo das contrações, a preocupação de ficar com a vagina mais larga ou de ter problemas futuros de incontinência urinária por causa de vários partos normais, ou de ter problemas com o bebê, na hora da passagem pelo canal do parto, podem levar algumas mulheres a temer esta opção natural de dar à luz. Por isso é tão importante o acompanhamento da gestação, ao longo de todo o pré-natal, a preparação para o parto e a escolha de um médico de confiança, com quem discutir como será o processo do nascimento. Existem hoje várias possibilidades de partos naturais confortáveis e seguros, como o parto de cócoras, ou na água, ou com anestesia peridural.

Um trabalho de parto típico tem início com a freqüência de duas a três contrações a cada 10 minutos, com duração de 40 segundos cada, aproximadamente. Ele pode ser precedido da ruptura da bolsa d’água ou não. As contrações aumentam em freqüência ao longo do trabalho de parto e cada contração dilata um pouco a abertura do colo do útero. De 2 a 3 cm iniciais, nas gestantes de primeiro filho, ou 3 a 4 cm, para as que já estão no segundo ou terceiro parto, essa dilatação atinge 10 centímetros no final do trabalho, quando as contrações aceleram em uma freqüência de 5 a cada 10 minutos.

Nesta altura, às contrações uterinas se juntam os esforços da mãe, que contrai a musculatura abdominal para fazer os “puxos”, como é denominado o movimento de força para expulsar o bebê. Esta é considerada a primeira fase do parto. Se a bolsa d’água não se rompeu antes ou no início do processo, o médico ou quem estiver assistindo a gestante fará a ruptura, durante o período de contrações e dilatação do colo do útero. Na segunda fase, o bebê é expelido através do canal do parto, e nasce de cabeça, em geral, o que os médicos denominam de apresentação cefálica. Existem outras posições, que são denominadas invertidas, como a apresentação dos pés, primeiro, ou das nádegas. Na terceira e última fase do parto, geralmente de 7 a 10 minutos após a saída da criança, a placenta é expulsa. É o momento chamado de dequitação da placenta, ou dequitadura ou secundamento.

Cesárea
A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é de que o índice de cesarianas não ultrapasse os 15% do total de partos. A porcentagem corresponde à média de incidência de situações de risco envolvendo a gestante ou o bebê. Não há discordância entre os médicos quanto à utilidade da cesariana para preservar a saúde do bebê ou da gestante o que se questiona é o uso desnecessário dela. Entre os casos em que a cirurgia torna-se de fato obrigatória se incluem situações em que a mãe apresenta pré-eclâmpsia ou eclâmpsia, tem diabetes descompensado, ou problemas como descolamento de placenta ou placenta prévia. As mães portadoras do HIV também devem ser submetidas à cirurgia. Mulheres que tem a bacia estreita e esperam bebês com mais de 4 quilos ou seus bebês estão posicionados de forma inadequada no útero, também são candidatas à cesárea.

Algumas conveniências favorecem a opção pela cesárea entre as mulheres e os médicos, no entanto, como o fato de ela permitir a escolha do dia e hora do parto, durar pouco, cerca de uma hora e ser indolor, além de evitar lesões ao assoalho pélvico e manter a vagina fora do processo. Há uma crença entre as mulheres de que o parto normal pode alargar a vagina e comprometer posteriormente a atividade sexual. Mas, a cesariana exige maior tempo de internação hospitalar e aumenta em cinco vezes o risco de infecção da mãe. O pós-parto da cirurgia também costuma ser dolorido Exige que a paciente observe um certo repouso e restrinja os movimentos para proteger os pontos. A recuperação completa da mãe demora de 30 a 40 dias depois de uma cesariana, enquanto três dias após o parto a mãe pode estar completamente restabelecida.

Anestesia
São dois os tipos de anestesia utilizadas nos partos: peridural e raquidiana. Ambas são aplicadas na região lombar, entre as vértebras da coluna, tirando a sensibilidade da gestante à dor da cintura para baixo sem comprometer sua consciência do processo de parto. O anestesiologista pode usar uma ou outra nos partos cesárea e normal, mas a raquidiana ou ráqui, como é chamada, é mais aplicada nas cesarianas e a peridural, nos partos normais. A primeira usa quantidade menor de anestésico, em uma aplicação de dose única. Seu efeito é quase imediato e sua duração, limitada ao tempo suficiente para a realização completa da cirurgia de cesárea.

A peridural é mais usada nos partos normais. Ela é aplicada por meio de cateter, que fica nas costas da gestante o tempo de duração do parto, liberando continuamente o anestésico. A peridural utiliza quantidade maior de anestésico, em comparação com a ráqui, embora hoje em dia os anestesiologistas venham aplicando um volume menor da substância na peridural para não correr o risco de comprometer as contrações e o trabalho de parto. O momento de aplicar a anestesia depende da tolerância da gestante à dor. Em geral os médicos sugerem sua aplicação em meio aos últimos estágios do trabalho de parto, quando a gestante já apresenta cansaço significativo.

Dependendo do esforço da gestante com o trabalho de parto, o anestesiologista pode optar por fazer uma anestesia combinada de peridural com pequena dose de ráqui para o alívio imediato da dor (a ráqui faz efeito rápido, como mencionamos). Depois de anestesiada, a gestante terá de seguir a orientação do médico para fazer força e empurrar o bebê quando a contração estiver chegando, pois não tem mais a capacidade de sentir estes movimentos uterinos. .

Complicações
Existem vários métodos para aliviar as dores do parto normal humano, que é mais difícil e doloroso realmente do que o parto dos outros mamíferos devido a cabeça grande dos bebês humanos e o formato estreito da abertura da pélvis feminina, por onde ela deve passar. A cesariana é o último recurso.

A preparação psicológica da gestante, algum preparo físico para esta ocasião, o apoio emocional do parceiro e a anestesia peridural podem resolver a maioria dos casos. Mas eventualmente podem surgir complicações durante o trabalho de parto que irão exigir a interferência do obstetra. Pode ocorrer, por exemplo, que o trabalho de parto não avance, com a correspondente dilatação do colo do útero, e o médico tenha de usar um produto para induzir o processo. Geralmente, recurso nesses casos é a aplicação intravenosa de ocitocina sintética, o hormônio estimulante das contrações.

Caso o bebê se apresenta para o nascimento fora de posição, dependendo da situação a cesárea pode ser inevitável. Pode acontecer de a posição do bebê ser transversal à abertura pélvida e em vez de a cabeça coroar o colo do útero é o cotovelo ou a mão que entram no canal de parto. Casos como estes exigem a intervenção cirúrgica.

Outros casos, em que o bebê está mal posicionado, mas não de forma tão radical – os pés ou as nádegas aparecem primeiro -- o obstetra pode empregar o fórceps para auxiliar o nascimento. O instrumento tem dois braços articulados, como se fosse uma enorme pinça, e as extremidades côncavas, como duas colheres. Ele só pode ser usado quando há dilatação do colo do útero. Posicionado dentro do canal vaginal, o fórceps ajuda a passagem do bebê, mas deve ser usado por mãos experientes para que não machuque a criança.