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Áreas Terapêuticas - Doença Inflamatória Intestinal

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Principais diferenças entre doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa

A Doença de Crohn (DC) e Retocolite Ulcerativa (RCU) apresentam muitos sintomas em comum. O tratamento medicamentoso e cirúrgico de uma e de outra, porém, podem se diferenciar. O gastroenterologista especializado é capaz de realizar o diagnóstico diferencial, a partir do resultado de vários exames que são solicitados ao paciente.

Na doença de Crohn, a inflamação pode ocorrer em qualquer parte ao longo do tubo digestivo, da boca ao ânus. A inflamação se estende por todas as camadas da parede intestinal.

A DC é uma patologia que atinge principalmente o adulto jovem – um número um pouco maior de homens do que de mulheres. Pacientes nos quais o início dos sintomas ocorre depois dos 60 anos de idade, normalmente apresentam formas localizadas de enterite. O índice de recidiva, contudo, é similar em ambos os casos.

Um dos aspectos clínicos importantes da doença é a longa evolução dos sintomas, geralmente superior a um ano, sendo, na maioria dos casos, extremamente difícil estabelecer o início da doença. O quadro clínico comum é marcado pela presença de diarréia; constipação, alternando com quadros de diarréia; dor abdominal; emagrecimento gradativo e contínuo; pequeno estado febril mais constante e mal-estar nas ocasiões de exacerbação da doença.

As lesões podem ser únicas e isoladas, afetando apenas uma área do intestino, ou podem distribuir-se extensivamente por todo o tubo digestivo, ou seja, acomete todas as camadas do trato intestinal.

A doença pode evoluir por crises intermitentes alternadas com fase de remissão de duração variável ou com uma forma crônica progressiva e contínua. Em qualquer uma das formas de apresentação, o resultado é sempre o mesmo: queda progressiva do estado geral, com perda de peso e tendência à depressão.

Já na Retocolite Ulcerativa, o intestino grosso (cólon) é tipicamente o local mais afetado. A inflamação afeta apenas o revestimento interno do intestino grosso (cólon) – a mucosa e submucosa, atingindo, principalmente os segmentos distais. Em alguns pacientes pode permanecer restrita ao reto, acometido em quase todos os casos.

            Alguns pacientes com RCU podem desenvolver doença hepática como esteatose, cirrose biliar primária ou colangite esclerosante. Outras manifestações clínicas da RCU incluem artrite, ulveite e sintomas gastrintestinais altos.

Formas de RCU:

Leve
É a forma de manifestação mais freqüente, que incide em aproximadamente 60% dos pacientes. Ocorre de duas maneiras: segmentar, atingindo principalmente o reto
e o cólon distal (em 80% dos casos), e o restante acometendo todo o cólon. Caracteriza-se por sintomas básicos como diarréia e sangramento retal, de intensidade menor e com manifestações sistêmicas mais raras. Durante o surto ou nos períodos de exacerbação, a diarréia é o sinal predominante com 3 a 5 evacuações ao dia.

Moderada
Na forma moderada, os sinais e sintomas da RCU caracterizam claramente uma doença inflamatória intestinal, predominantemente com diarréia, muco, pus e sangramento retal. Pode acompanhar dor abdominal com cólica que é aliviada com a defecação e que, algumas vezes, acorda o paciente à noite. Acomete aproximadamente 30% dos portadores. Geralmente, os pacientes com essa forma moderada não executam todas as suas atividades devido à fadiga. Podem apresentar também quadro de febre intermitente e moderada e períodos de anorexia e perda de peso. Normalmente, respondem bem ao tratamento.

Grave
É a forma de menor incidência (10%), caracterizada por um número elevado de evacuações (20 a 30 vezes) no período de 24 horas. Pode haver sangramento retal intenso e febre alta e constante. Normalmente, o quadro clínica acompanha anorexia, astenia, palidez e rápida perda de peso. Com freqüência o paciente deve ser hospitalizado. Alguns pacientes são refratários ao tratamento clínico, necessitando, às vezes de intervenção cirúrgica.