Câncer de Próstata - Tratamentos adotados
Uma porcentagem pequena dos homens portadores de câncer de próstata, cerca de 15%, apresentam um tumor que os médicos denominam de indolente, ou seja, que não progride e não requer, assim, nenhum tratamento. Os pacientes nessa situação devem ser apenas acompanhados pelo médico, com exames periódicos, mas em geral morrem com o câncer e não por causa dele.
É bastante complexa a questão da escolha do melhor tratamento para o paciente, diante da variedade de opções existentes hoje, o que leva os especialistas a discutir sobre a melhor forma de tratar os casos de câncer inicial da próstata. Cirurgiões acreditam que a cirurgia radical seria a forma mais eficiente de tratamento.
Os radioterapeutas consideram o tratamento com radioterapia mais eficaz. A maioria dos estudos existentes sobre tratamentos do câncer de próstata aponta que a cirurgia pode curar entre 15% e 20% a mais de pacientes do que a radioterapia, e ainda apresenta uma vantagem adicional: se a doença voltar na região, é possível livrar o paciente da doença submetendo-o à aplicações de radioterapia.
A controvérsia sobre os tratamentos não envolvem apenas porcentagens de cura ou não do câncer, mas também estão associadas à questão delicada da perda da ereção peniana, que atinge de 15% até 90% dos homens que são submetidos à cirurgia e 40% dos que são tratados com radioterapia. A impotência sexual ocorre quando há lesão dos chamados nervos cavernosos, responsáveis por levar o sangue até o pênis, que passam pela região da glândula e podem ser danificados pela cirurgia ou pelos feixes de radiação, no tratamento radioterápico.
A evolução das técnicas de cirurgia e de radioterapia, porém, vem permitindo melhorar o prognóstico de recuperação do paciente, particularmente em relação à ereção. Atualmente, a recuperação das ereções penianas podem ser observadas em 50% dos pacientes operados, segundo o cirurgião Miguel Srougi. A radioterapia também evoluiu, especialmente com o uso do método de radiação conhecido pela sigla IMRT, que significa radioterapia com intensidade modulada – uma inovação do início da década atual. A modulação da intensidade do feixe de radiação não é homogênea, o que permite que as áreas com o tumor sejam mais irradiadas do que os tecidos vizinhos.